Cidade

Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher é lembrado nesta terça

Companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos, conhecidos ou vizinhos foram os responsáveis por 68% dos casos de violência física, 65% da violência psicológica e 38% da violência sexual sofrida por mulheres no estado do Rio de Janeiro em 2016. É o que aponta a 12ª edição do Dossiê Mulher, lançada em agosto pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado.

De acordo com a major Cláudia de Moraes, organizadora do Dossiê Mulher, o fato de a vítima, em muitos casos, conhecer o agressor faz com que muitas não denunciem o crime. Ela reitera que a vítima nunca é a culpada pela agressão que sofreu e que é necessário uma mudança cultural para que os números da violência contra a mulher diminuam. “As mulheres merecem e têm direito a desfrutar do espaço público como qualquer cidadão. Quando a mulher não se sente à vontade, quando pensa duas vezes antes de sair de casa que roupa ela vai usar, em que lugar ela vai, onde vai sentar para beber ou conversar. Por que ela tem que fazer isso? Isso não é natural e se a gente não estranhar isso, dificilmente vai mudar. É preciso conversar sobre assédio, sobre a dificuldade de circulação da mulher no espaço público e no ambiente de trabalho, que é muito sério também, porque tem a ameaça da demissão”.

Já em Petrópolis, os dados do Dossiê Mulher foram apresentados no último mês e apontaram que foram realizados 807 registros de ameaças e 844 casos de agressão física. O município não registrou nenhum homicídio ano passado, apesar do índice alto de casos de ameaças e lesão corporal.

Segundo a major da Polícia Militar Cláudia Moraes, uma das organizadoras do Dossiê Mulher, a violência contra mulher acontece em diversas etapas: começa com a ameaça, evolui para lesão corporal até chegar ao homicídio. “O fato de ter um alto número de registros de ameaças ou lesão corporal não significa que a cidade é violenta. Isso mostra que as mulheres se sentem seguras para denunciar esses crimes, denotam uma confiança nas instituições. A denúncia é a grande porta para impedir que se chegue em mortes. Quanto antes a mulher falar, melhor será para protege-la, é isso que permite o trabalho do Cram, da rede de Saúde, da delegacia”, analisa.

Ainda de acordo com a major, que também é coordenadora dos conselhos comunitários de segurança, a rede de acolhimento ao público feminino em Petrópolis, com o Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram) e o Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) na 105ª Delegacia de Polícia, é o que explica o fato da cidade não ter registrado nenhuma morte por feminicídio – quando o homicídio ocorre pelo único fato de a vítima ser mulher.

Visando conscientizar e chamar a atenção da sociedade para esse problema, um trio de jovens de Petrópolis, todos modelos plus size da Scherer Produçõe, realizaram um ensaio fotográfico (inclusive uma das fotos ilustra esta matéria) para o Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher, comemorado nesta terça-feira (10).

O trio é formado por: Luis Filipe Dias, recém-formado em Ciências Biológicas, professor na APAE de São José, eleito o primeiro Mister Plus Size Petrópolis 2017; Evelyn Menezes, cursando Gestão Hospitalar, assistente administrativa, vencedora no concurso em 2016, é a Miss Plus Size Petrópolis 2017; e Renata Cabral, consultora de Imagem e Estilo na Reluve Produções, empreendedora, gerente comercial/marketing, modelo plus size, Miss Elegância 2017, 2º Princesa Plus Size de Petrópolis, Garota Top de Verão e Miss Quitandinha.

A campanha tem como foco divulgar o canal de denúncias do Governo o Disque 180, como é possível ver nas imagens abaixo:

Os dados de Petrópolis chamam atenção depois de dois casos de tentativa de homicídio realizada por companheiro e ex-companheiro no Alto da Serra e na Mosela, respectivamente. No primeiro, a mulher foi acolhida com a ajuda do Cram, que também contribuiu para que o agressor fosse detido. No segundo, o Centro de Referência acompanhou a evolução do estado de saúde da vítima.

“Uma das nossas lutas é exatamente para que os agressores não fiquem impunes. Além de dar o apoio psicológico e a orientação jurídica, a gente busca conseguir medidas protetivas para ela. Hoje, os homens estão sendo presos a partir das denúncias que são feitas e isso serve de exemplo para que a gente consiga diminuir o número de casos”, diz Raquel Golçalves, coordenadora do Cram.

Em Petrópolis, 160 mulheres procuraram o Cram esse ano e houve mais 132 atendimentos de retorno (292 no total). O público feminino pode procurar o Cram que fica na Rua Santos Dumont, 100 – Centro. Para denunciar ou solicitar informações, basta ligar para o telefone: 2243-6152. O funcionamento é de 8h às 17h, de segunda a sexta. O Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) fica na 105ª DP, no Retiro, 24 horas por dia, com policiais femininas atendendo as vítimas de violência em um ambiente reservado. A PM mantém o projeto “Guardiã da Vida”, que atende ocorrência de violência doméstica. Além disso, as petropolitanas também contam com o Ônibus Lilás, que foi reintegrado ao sistema de atendimento em agosto e atua como um “Cram itinerante”. Neste mês, ele está na Posse para receber as moradoras do distrito.

*Com informações da Agência Brasil e da Prefeitura de Petrópolis

Botão Voltar ao topo
error: Favor não reproduzir o conteúdo do AeP sem autorização.