A fotografia como expressão artística, memória e resistência é o ponto de partida de “Um Pedaço de Mim — Histórias que não cabem em um só corpo”, exposição fotográfica autoral e independente que foiinaugurada na Sala Expositora Van Dijk, no Centro de Cultura Raul de Leoni. A entrada é gratuita.
Criada por Douglas Ramos no contexto do Mês da Consciência Negra, a exposição utiliza a fotografia como linguagem poética e política para abordar identidade negra, fé, ancestralidade, corpo, espiritualidade e resistência. As imagens propõem um olhar sensível e crítico sobre as experiências atravessadas pelo racismo estrutural e pelo apagamento social, convidando o público a refletir sobre histórias que nem sempre encontram espaço para serem contadas.
Fotógrafo e artista visual com atuação independente desde 2019, em Petrópolis, Douglas iniciou sua trajetória registrando pessoas, histórias e cotidianos. Com o tempo, seu trabalho passou a explorar a construção de narrativas visuais, aproximando fotografia, memória e questões sociais. Sua formação em Serviço Social também contribui para um olhar atento às relações humanas, aos territórios e às diferentes formas de existência.
Em sua pesquisa autoral, Douglas investiga temas como identidade, pertencimento, espiritualidade, desigualdades sociais e resistência. Em “Um Pedaço de Mim”, esse percurso ganha forma por meio de retratos que valorizam a subjetividade das pessoas fotografadas, sem reduzi-las a representações únicas. A proposta é construir imagens que sejam, ao mesmo tempo, expressão artística, registro de memória e convite à reflexão.
O projeto tem como protagonistas Emily, Eduardo, Michele, Danúbia e Agatha — mãe e irmãs de Douglas —, Lilian Regina, conhecida como Tia Lili, Jorge e Denise, do Quilombo da Tapera, além de Thaissa, Tainá, João Pedro e Alan Luiz. A presença dessas pessoas é fundamental para a construção das narrativas, que partem de histórias e experiências reais.
“Fotografar também é aprender a escutar, respeitar e construir junto. Essas imagens não existem apenas pelo meu olhar, mas também pela presença e pela história de cada pessoa que aceitou fazer parte desse processo. É um trabalho sobre encontros, sobre o que compartilhamos e sobre aquilo que cada um carrega consigo”, destaca Douglas.
A exposição conta ainda com a colaboração de Alberto Lorenzi, fotógrafo e designer com cerca de cinco anos de experiência na criação de imagens e narrativas visuais. Seu trabalho transita entre a fotografia e o design, com uma abordagem autoral e documental que valoriza a singularidade, a identidade e a expressividade de cada pessoa retratada.
No projeto, Alberto participou do processo criativo, do registro das construções visuais, da produção do material e da edição final. Sua contribuição ajudou a consolidar a identidade visual da exposição e a traduzir, em imagens, as propostas artísticas e conceituais da série.
“Foi muito significativo colaborar com um projeto que valoriza histórias, identidades e formas de existir. Buscamos construir, em cada imagem, uma narrativa que respeitasse as pessoas retratadas e ampliasse as possibilidades de olhar para elas”, afirma Alberto Lorenzi.
A exposição conta com o apoio do Segmento de Culturas Afro-Brasileiras, Quilombolas e de Matrizes Africanas do Conselho Municipal de Cultura, da Prefeitura de Petrópolis, por meio do Centro de Cultura Raul de Leoni, e do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo Federal, por meio do Instituto Caminho da Roça (ICR), no âmbito do Sistema Nacional de Cultura.



