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Consumo de alimentos cresce após restrição às bets e movimenta comércio

O aumento do consumo de alimentos registrado pelos supermercados brasileiros nas primeiras semanas de outubro abre espaço para uma discussão sobre os impactos da restrição às apostas on-line na economia e no orçamento das famílias. Um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) aponta crescimento de 6,5% nas vendas entre os dias 5 e 11 de outubro e de 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), o movimento chama a atenção para a importância de estimular a circulação de recursos no comércio e fortalecer os estabelecimentos que fazem parte do cotidiano da população.

Os dados foram apresentados pela Abras, após um mês da publicação da medida provisória pelo governo federal que restringiu as apostas esportivas e os jogos on-line de quota fixa. Segundo a entidade, o aumento foi observado em diferentes formatos de negócio, incluindo supermercados, atacarejos e mercados de vizinhança, com destaque para produtos essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.

Para o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, o cenário reforça a importância de acompanhar como as mudanças nos hábitos de consumo podem repercutir no comércio local. “Quando o consumidor consegue direcionar mais recursos para a compra de alimentos e outros produtos essenciais, isso movimenta a economia e pode trazer benefícios para toda a cadeia comercial. É importante que esse dinheiro circule, porque o consumo gera oportunidades, fortalece os negócios e contribui para a qualidade de vida das famílias”, afirma.

Comércio de bairro também pode ser beneficiado

O crescimento apontado pela Abras não se restringe às grandes redes varejistas. A entidade identificou aumento nas vendas também em mercados de vizinhança, um segmento que tem papel importante no abastecimento cotidiano e na economia dos bairros. Na avaliação da CDL Petrópolis, esse movimento é especialmente relevante para os pequenos comerciantes, que atendem diretamente às necessidades da população e mantêm uma relação próxima com os consumidores.

“Não são apenas as grandes redes que podem se beneficiar de um cenário de maior consumo. O pequeno comércio, os mercados de bairro e os estabelecimentos que estão próximos das pessoas também têm um papel fundamental nessa movimentação. Quando o consumidor compra perto de casa, ele ajuda a fortalecer os negócios locais, mantém recursos circulando na própria comunidade e contribui para a geração de emprego e renda”, destaca Cláudio Mohammad.

O presidente da entidade ressalta que o fortalecimento do comércio de proximidade também tem reflexos na vida urbana. A presença de estabelecimentos nos bairros facilita o acesso a produtos e serviços, reduz deslocamentos e contribui para manter as comunidades economicamente ativas. “Uma economia mais forte precisa se traduzir em benefícios concretos para a população. O comércio de bairro oferece conveniência, proximidade e atendimento, além de gerar oportunidades de trabalho. Isso também é qualidade de vida. Quando os negócios locais prosperam, toda a comunidade ganha”, acrescenta Cláudio Mohammad.

Crescimento foi registrado em diferentes regiões

O levantamento da Abras mostra que o avanço das vendas ocorreu em todas as regiões pesquisadas, embora com diferenças de intensidade.

Na semana de 5 a 11 de outubro, as maiores altas foram registradas no Sul e no conjunto formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambos com crescimento de 10,6%. O Nordeste avançou 6,5%, enquanto os demais mercados apresentaram aumentos entre 1,2% e 5,6%.

Entre 12 e 18 de outubro, o Sul manteve a liderança, com alta de 9%, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%. O Grande Rio registrou crescimento de 6%, enquanto os demais mercados avançaram entre 3,5% e 5,6%.

A Abras também informou redução nas transações por Pix após a restrição às apostas, com queda inicialmente estimada em cerca de 10% e posteriormente em aproximadamente 7%. Para a entidade, o comportamento pode indicar mudanças na destinação dos recursos, mas os números não comprovam uma transferência direta do dinheiro das apostas para o consumo.

Para a CDL Petrópolis, o acompanhamento desses indicadores ajuda a compreender os hábitos das famílias e os desafios do varejo diante das mudanças econômicas. “É importante olhar para o consumo de forma ampla, considerando o orçamento das famílias, o acesso aos produtos essenciais e a capacidade de o comércio atender às necessidades da população. O fortalecimento dos pequenos negócios e a circulação de recursos na economia local são fundamentais para que os resultados positivos possam alcançar diferentes setores e contribuir para uma cidade mais dinâmica”, analisa Cláudio Mohammad.

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