Em junho deste ano, o Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e de disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo.

Segundo informações do Ministério da Saúde, até meados de agosto de 2026, haviam sido registrados 24 casos de sarampo, relacionados à importação do vírus. Três foram encerrados sem risco de disseminação e 21 permanecem em acompanhamento em São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital.
De acordo com dados da Secretaria estadual da Saúde de São Paulo, 16 desses pacientes não tinham histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto.
“O principal risco de não vacinar é deixar a criança suscetível a uma doença extremamente contagiosa, que pode evoluir com complicações graves e até levar à morte. Além disso, uma criança não vacinada não coloca apenas a própria saúde em risco: ela pode transmitir o vírus para bebês que ainda não têm idade para receber a vacinação, pessoas imunossuprimidas e outras pessoas que não conseguiram desenvolver imunidade”, explica o médico pediatra Felipe Machado Moliterno
, que também é infectologista e professor da UNIFASE/FMP.
O sarampo é transmitido principalmente pelo ar, através de partículas respiratórias eliminadas quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala. “É um vírus extremamente contagioso. Uma pessoa pode adquirir sarampo simplesmente permanecendo em um ambiente onde esteve uma pessoa infectada. E existe uma característica epidemiológica importante: o paciente transmite o vírus antes mesmo de o diagnóstico ser evidente. Por isso, o sarampo consegue se espalhar tão rapidamente dentro de famílias, escolas, creches e comunidades”, alerta o médico.
Inicialmente, a doença pode parecer uma síndrome gripal, mas a combinação de febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e, posteriormente, manchas pelo corpo deve levantar imediatamente a suspeita. Além disso, o sarampo pode deixar graves sequelas, como otite, pneumonia, laringotraqueobronquite,
“Outra sequela é uma complicação particularmente grave e rara, que é a panencefalite esclerosante subaguda (PESS). É uma doença neurológica rara, progressiva e fatal, que pode surgir anos após a infecção pelo sarampo. Mesmo uma criança que aparentemente se recuperou completamente do sarampo pode, em situações raras, desenvolver anos depois essa complicação neurológica devastadora”, comenta o pediatra.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, Petrópolis não registra casos da doença desde 2020. Para manter esse cenário, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra o sarampo. Em 2025, a cobertura da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) no município ficou em 94,15%.
“A população deve verificar a caderneta de vacinação e procurar uma das 17 salas de vacina em caso de dúvida ou necessidade de atualização das doses. Pessoas de 12 meses a 29 anos de idade sem comprovação da vacinação, devem tomar duas doses da vacina, com intervalo de 30 dias. Já pessoas com idades de 30 a 59 anos, é recomendada apenas uma dose do imunizante”, informa a Secretaria Municipal de Saúde.
*Com informações da Agência Brasil e do Ministério da Saúde



