O 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis acontece de 12 a 15 de novembro de 2026, no Palácio de Cristal, reunindo escritores, jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros para quatro dias de encontros em torno da literatura. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, esta edição presta homenagem ao centenário de morte do poeta petropolitano Raul de Leoni, patrono do evento. A celebração também destaca os 100 anos de nascimento do geógrafo Milton Santos, os 130 anos do pintor Alberto da Veiga Guignard e o 80.º aniversário da escritora Conceição Evaristo. Os curadores desta edição são Sérgio Abranches, Calila das Mercês, Afonso Borges, Gustavo Grandinetti, Marcelo Fernandes e Rafael Nolli. O festival tem entrada gratuita em todas as atividades.
Entre os confirmados do 3º Flipetrópolis estão Adriana Cruz, Afonso Borges, Ale Santos, Ana Paula Araújo, Andréa Pachá, Antônio Torres, Aydano André Motta, Alexandre Coimbra Amaral, Bárbara Cruz, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Conceição Evaristo, Cristina Aragão, Eliana Alves Cruz, Énia Lipanga (Moçambique), Estevão Ribeiro, Fabrício Carpinejar, Flávia Oliveira, Geni Núñez, Geraldo Carneiro, Gustavo Grandinetti, Jamil Chade, José Roberto de Castro Neves, Luiz Áquila, Madalena Sá Fernandes (Portugal), Marcelo Bortoloti, Marcelo Fernandes, Michel Alcoforado, Míriam Leitão, Nara Vidal, Paulo Vicente Cruz, Rafael Nolli, Ricardo Ramos Filho, Rosiska Darcy de Oliveira, Sérgio Abranches, Silvana Gontijo, Socorro Acioli, Sueli Carneiro e Zélia Duncan.

Nesta edição, mulheres ocupam posições centrais na programação, ao lado de importantes vozes negras e indígena, de diferentes gerações e origens. Os encontros abordam desde a criação de personagens e os desafios da ficção até a formação de leitores, a violência contra as mulheres, a desigualdade social, as relações familiares e a presença da literatura na vida cotidiana. O festival também terá convidados internacionais, atrações musicais, uma exposição dedicada a Guignard, livraria, lançamentos e sessões de autógrafos.
O 3º Flipetrópolis tem o patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, patrocínio prata da Zeiss, Itaú e Unifase e parceria da Prefeitura de Petrópolis e Academia Petropolitana de Letras. Todas as mesas de debate serão transmitidas ao vivo pelo YouTube @flipetropolis e contarão com audiodescrição e interpretação em Libras. As ações do Flipetrópolis estão alinhadas aos princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Quatro homenagens e uma reflexão sobre pertencimento
A escolha de Raul de Leoni (1895–1926) como Patrono do Flipetrópolis recupera a história de um dos nomes mais importantes da literatura petropolitana. Autor de Luz Mediterrânea, publicado em 1922, o poeta nasceu em Petrópolis e morreu em Itaipava, em 1926. Sua obra, marcada por reflexões sobre o amor, a existência e a condição humana, será revisitada em um encontro dedicado à sua trajetória.
A homenagem estabelece uma ligação com o tema “Meu Lugar no Mundo”, inspirado no pensamento de Milton Santos (1926–2001). Ao longo de sua obra, o geógrafo brasileiro investigou o território, a globalização e as relações entre o local e o universal, oferecendo instrumentos para compreender o lugar como espaço de vida, experiência e construção de identidade.
A trajetória de Alberto da Veiga Guignard (1896–1962) acrescenta outra dimensão a essa reflexão. Nascido em Nova Friburgo, o pintor viveu parte da infância em Petrópolis, onde teve contato com paisagens, montanhas, festas populares e experiências que permaneceram em sua memória. Nos jardins do Palácio de Cristal, a exposição dedicada ao artista apresenta aspectos dessa ligação com a cidade.
A Autora Homenageada, Conceição Evaristo, completa 80 anos como uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea. Sua concepção de escrevivência, que articula experiência, memória e criação literária, amplia o debate sobre pertencimento, ancestralidade e os lugares ocupados pelas mulheres negras na sociedade brasileira.
Programação
Quinta-feira – 12 de novembro de 2026
8h – Contação de Histórias com a Velhota Cambalhota, com Rose Assis;
9h – “Entre palavras e encantamentos”, com Sirlene Bastezini;
14h – “Histórias aos Montes”, com Flávia Justen;
16h – “Amar é muito mais que crer: a vida e a obra de Raul de Leoni”, encontro dedicado ao centenário da morte do poeta petropolitano, com Marcelo J. Fernandes, da Academia Petropolitana de Letras e Gerson Valle e mediação de Iara Roccha;
17h – “Leia Mulheres: literatura, cidade e formação de leitoras” vai discutir os clubes de leitura, a presença das escritoras no mercado editorial e a construção de comunidades literárias. As convidadas sano Dani Balbi e Ana Victoria Almeida, com mediação de Linda Feitoza e Drica Madeira;
18h – O jornalista e pesquisador Marcelo Bortoloti e o artista plástico Luiz Áquila conversam sobre a infância do pintor em “Guignard: uma criança de Petrópolis”, com mediação de Gustavo Grandinetti. O encontro investiga como as experiências da infância e as paisagens petropolitanas podem ter influenciado a sensibilidade do artista;
19h – Abertura oficial;
19h15 – “O futuro já começou: tecnologia, imaginação e humanidade”, com Sérgio Abranches, Ale Santos e mediação de Jamil Chade. O escritor e cientista político e o autor de ficção especulativa discutem inteligência artificial, transformações tecnológicas, mudanças climáticas e a capacidade da literatura de imaginar futuros possíveis;
20h – Socorro Acioli apresenta “Amar é inadiável” (Planeta, 2026), coletânea de crônicas sobre amor, memória e literatura, em conversa mediada por Jamil Chade. Autora de “A cabeça do santo” e “Oração para desaparecer”, a escritora discute a transformação das experiências cotidianas em narrativas;
21h – “Poesia e Amor no Cotidiano”, com Fabrício Carpinejar e mediação de Afonso Borges. O encontro vai abordar as relações familiares, os afetos e a presença da poesia nas experiências comuns da vida.
Sexta-feira, 13 de novembro de 2026
8h – “Abre a roda, lá vem história!”, com Alaíde Guedes;
9h – Amandinha, a encantadora de histórias, com “O Patinho Feio que não era um Patinho Feio”, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta;
14h – Marina Bastos conta histórias divertidas;
15h – Cristina Ferreira apresenta “Quem canta um conto, reencanta um ponto!”;
18h – “As vidas que a literatura inventa”, reunindo as romancistas Nara Vidal e Eliana Alves Cruz, com mediação de Geni Núñez. As escritoras discutem personagens femininas, memória, família e os caminhos pelos quais a ficção transforma experiências individuais em histórias capazes de revelar uma sociedade;
19h – “Revista Brasileira: a literatura e as grandes questões do nosso tempo”, com Rosiska Darcy de Oliveira, Antônio Torres, Geraldo Carneiro e mediação de Cristina Aragão. A mesa vai falar sobre a importância das revistas culturais, a circulação de ideias e a relação entre literatura e pensamento contemporâneo;
20h – “A Literatura e o Mundo entre Nós”, com Míriam Leitão, Sérgio Abranches e mediação de Afonso Borges. Companheiros de vida e escritores com trajetórias próprias na ficção, os dois conversam sobre personagens, enredos, influências e processos criativos. Em “A dança de Elisa” (Intrínseca, 2026), Míriam constrói uma alegoria distópica sobre a perda de direitos e a resistência feminina. Em “A franja do fim do mundo” (Alta Books), Sérgio imagina um futuro atravessado por transformações tecnológicas, ambientais e sociais. O encontro aborda a convivência com a literatura e as diferentes maneiras de transformar a realidade em ficção;
21h – “Mulheres, famílias e os fantasmas da memória”, com Bruna Lombardi, a escritora portuguesa Madalena Sá Fernandes e mediação de Jamil Chade. A conversa parte de “Mulheres que sentem os espíritos” (Record, 2026), de Bruna, e de “Leme” (Todavia) e “Sótão”, de Madalena, para discutir relações familiares, lembranças, violência, luto e os efeitos do passado na construção da identidade.

Sábado, 14 de novembro de 2026
9h30 – Entrega do Prêmio de Redação e Desenho do Flipetrópolis, iniciativa voltada à participação de estudantes e à valorização da leitura e da expressão artística;
11h30 – “A democracia começa na infância: livro natureza e cidadania”, com a escritora e ministra Cármen Lúcia, Miriam Leitão e Silvana Gontijo, com mediação de Sérgio Abranches. Como a literatura infantil pode formar cidadãos? Cármen Lúcia apresenta “O Livro da Democracia”, escrito com Mariana Oliveira. Míriam Leitão, autora de oito livros infantis, aborda a convivência com as diferenças e a preservação da natureza. Silvana Gontijo, autora da coleção “Turma do Planeta”, apresenta o projeto “Esse Rio É Meu”, que mobiliza escolas pela recuperação dos rios urbanos;
12h30 – “UBE: o lugar de representação dos escritores brasileiros desde 1958”. Por que é importante ter uma entidade que represente os escritores em todo o país? Vanessa Guarani Ratton e Ricardo Ramos Filho, com mediação de Marcos Kirst, apresentam a União Brasileira de Escritores (UBE): seu compromisso com a democracia e os direitos civis, os prêmios literários que concede, entre eles o Troféu Juca Pato, e os serviços oferecidos aos associados, como assessoria jurídica em direitos autorais, participação no podcast UBE Cast e o envio de originais para avaliação da Editora Simples, da própria entidade. Uma conversa também sobre por que e como se filiar;
14h – “Mário Quintana, 120 anos: a poesia e o lugar do homem no mundo”, com Gustavo Grandinetti, autor de “O passarinho do contra – Uma biografia de Mario Quintana”, José Roberto de Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras e mediação de Marcelo Fernandes;
15h – “Meu lugar no mundo: histórias para todas as infâncias”, com Geni Núñez, Estevão Ribeiro e mediação de Ricardo Ramos Filho;
16h – “Os donos do mundo e os que ficam de fora”, com Jamil Chade, Michel Alcoforado e mediação de Eliana Alves Cruz. A partir de “Tomara que você seja deportado” (Editora Nós, 2025), de Jamil, e “Coisa de rico – A vida dos endinheirados brasileiros” (Todavia, 2025), de Michel, os dois autores investigam diferentes manifestações do poder e da desigualdade;
17h – “A palavra também canta”, com Zélia Duncan, a poeta, rapper e ativista moçambicana Énia Lipanga e mediação de Aydano André Motta. A conversa aproxima Brasil e Moçambique para investigar as relações entre poesia, canção, linguagem e intervenção social;
18h – “A geografia dos afetos na família Cruz” reúne Eliana Alves Cruz, Adriana Cruz, Paulo Vicente Cruz, Bárbara Cruz e mediação de Flávia Oliveira. A partir de experiências de diferentes gerações, a família conversa sobre memória, ancestralidade, pertencimento e os vínculos que conectam histórias individuais e coletivas;
19h – “Violência contra as mulheres: entre a realidade e a ficção”, com a jornalista Ana Paula Araújo, a escritora e magistrada Andréa Pachá e mediação de Jamil Chade. A partir do livro “Agressão – A escalada da violência doméstica no Brasil” (Globo Livros, 2025) e da produção literária de Andréa Pachá, o encontro discute violência doméstica, direitos, relações de poder e a capacidade do jornalismo e da literatura de revelar histórias frequentemente silenciadas;
20h – “Conceição e Sueli: Vivências e Escrevivências”, com Conceição Evaristo, Sueli Carneiro e mediação de Calila das Mercês, sobre literatura, pensamento, amizade, ancestralidade e as experiências que marcaram suas trajetórias. A mesa celebra os 80 anos de Conceição Evaristo e a contribuição das duas intelectuais para a cultura brasileira e para a luta pela igualdade racial.

Cármen Lúcia recebe o Troféu Juca Pato 2026
Às 21h de sábado, o Palácio de Cristal recebe a cerimônia de entrega do Troféu Juca Pato – Intelectual do Ano de 2026 à ministra do Supremo Tribunal Federal, a mineira Cármen Lúcia. O jornalista e escritor Jamil Chade será o Mestre de Cerimônias. Concedida pela União Brasileira de Escritores (UBE), a distinção reconhece sua contribuição intelectual e sua produção bibliográfica sobre Direito, democracia e cidadania, incluindo a obra “Princípio Constitucional da Solidariedade”. A cerimônia terá apresentação de Ricardo Ramos Filho, presidente da UBE, saudação de Zélia Duncan e uma entrevista de Míriam Leitão com a homenageada. Sérgio Abranches fará a fala de encerramento.
Domingo, 15 de novembro de 2026
9h30 – Orquestra de Câmara da Fiocruz, iniciativa do Fórum Itaboraí, com um repertório dedicado à música brasileira;
10h30 – “A sociedade do sucesso e seus dilemas”, com os autores Michel Alcoforado, Alexandre Coimbra Amaral e mediação de Gustavo Grandinetti. Em “Coisa de rico – A vida dos endinheirados brasileiros”, o antropólogo Michel Alcoforado investiga os hábitos, os privilégios e os códigos de distinção das elites brasileira. O psicólogo e escritor Alexandre Coimbra Amaral, autor de “A exaustão no topo da montanha”, examina as consequências de uma cultura que transforma produtividade, reconhecimento e ascensão social em exigências permanentes. Partindo de suas obras, os dois autores discutem as contradições de uma sociedade que valoriza o sucesso individual enquanto aprofunda desigualdades e produz novas formas de sofrimento.

Livros, autógrafos e a cidade como espaço de encontro
Além das mesas de debate, o 3º Flipetrópolis terá livraria, lançamentos e sessões de autógrafos com autores independentes que se inscreveram antecipadamente para lançarem seus livros, aproximando leitores e escritores. A programação também valoriza iniciativas de formação de leitores, a produção cultural petropolitana e a participação da Academia Petropolitana de Letras, representada na curadoria por Gustavo Grandinetti e Marcelo Fernandes. O eixo de Gastronomia e Cervejarias reunirá produtores locais, ampliando a ocupação do Palácio de Cristal e de seu entorno como espaço de convivência e circulação cultural.
Serviço
Data: 12 a 15 de novembro de 2026
Local: Palácio de Cristal
Entrada gratuita.
Transmissão: YouTube @flipetropolis
Site/Redes: www.flipetropolis.com.br – @



