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Conheça o trabalho do Alcoólicos Anônimos

Visando ajudar as pessoas a se recuperarem do alcoolismo, nasceu o Alcoólicos Anônimos, que é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros que passam pela mesma situação.

Hoje são mais de 97 mil grupos em todo o globo terrestre, em mais de 180 países, que através do consenso coletivo, atuam de forma integrada e sincronizada.

Em 1935, um indivíduo que sofrera por anos e anos, tendo sido internado em sanatórios e perdido quase tudo em sua vida por causa do alcoolismo, descobre ao acaso que conversar especificamente sobre o assunto, com outra pessoa que sofre ou sofrera como ele, os ajuda mutuamente a se manterem sóbrios. Aos poucos, pessoas com problema de controlar o consumo de bebidas começam a se agrupar para falarem do tempo em que bebiam e não tinham o controle de suas vidas e também para “comemorarem” suas conquistas após terem estacionado a bebida.

Percebeu-se que a frequência a essas reuniões é de vital importância para permanência da sobriedade. Isso porque os que julgaram estar livres do mal, voltaram a beber quando se ausentaram das reuniões.

Então se identificou que a doença não tinha cura, que precisava de um tratamento permanente, contínuo e perpétuo. Com o passar do tempo, pelas partilhas nessas reuniões que visam dividir honestamente e sem medo as experiências passadas quando bebiam, descobriu-se que o primeiro gole de bebidas que contenham álcool desencadeia no portador da doença, o descontrole.

Com isso veio a conclusão de que para a recuperação, o indivíduo não poderia ingerir uma gota de álcool sequer, se ele quisesse se manter sóbrio. Denominaram-se anônimos, pois a doença é julgada pela sociedade. Então, para manter o equilíbrio na vida que estava sendo restaurada, o anonimato era essencial.

“Há um grande desconhecimento geral a respeito do que é Alcoólicos Anônimos. Há um pré-julgamento onde de forma involuntária associam o indivíduo em recuperação à época de ativa (quando bebiam)… é o preconceito, trazido pelo do tempo de ativa, também pela figura folclórica, mas não mentirosa do ‘bêbado'”, explica um membro do grupo em Petrópolis.

O alcoolismo afeta a todas as classes sociais de forma regular. Não existe uma classe social que esteja livre. E o único requisito para ser membro de Alcoólicos Anônimos é o desejo de parar de beber. “Nos grupos, a diversidade de pessoas é grande. Advogados a pedreiros, doutores e iletrados com o mesmo propósito: ajudar um ao outro, através de suas experiências, a se recuperarem do alcoolismo”, conta.

O Alcoólicos Anônimos não cobra taxa, nem mensalidade, embora os próprios membros, através de contribuições voluntárias, ajudem as portas a permanecerem abertas. Todos os grupos são autossuficientes e rejeitam qualquer contribuição de fora.  A irmandade também não está ligada a nenhuma seita ou religião e não apoia nem combate quaisquer causas. Oúnico propósito é de se manterem sóbrios e ajudar o acoólico que ainda sofre a se recuperar do alcoolismo.

Sobre o alcoolismo

A doença é comportamental e multifatorial, ou seja, está na mente e é contraída, concebida. “Não vejo um termo que se adeque bem, por inúmeros fatores, e esses fatores divergem de pessoa para pessoa. Não significa que se expusessem duas pessoas as mesmas circunstâncias corroborativa ao alcoolismo, ambas contrairiam a doença. Isso porque um dos indivíduo pode estar imune emocionalmente a essas circunstâncias. Mas esse indivíduo que apresenta imunidade às circunstâncias neste teste hipotético, não estaria imune a uma nova circunstância. Por isso multifatorial…”, explica.

Embora alguns fatores sejam específicos, estando presente na grande maioria das ocorrências, muitos outros são individuais e circunstanciais. Ou seja, não é o consumo frequente conjugado com a predisposição genética, embora possa ser. Não é a oferta conjugado com o hábito social de atrelar bebida à felicidade ou a solução para infelicidade, embora também possa ser. Por exemplo, se um indivíduo ingere bebidas alcoólicas frequentemente, não significa que seja alcoólico. O que caracteriza o indivíduo ter a doença é o vínculo que ele tem com a substância, o paralelo que ele traça entre a sensação sentida e a felicidade.

O álcool gera a dependência fisiológica, a dependência que o corpo precisa para se estabilizar. Porém, essa dependência é passageira. Por um breve período sem o consumo, o organismo drena a substância através do suor, fezes e urina e não é mais sentido as tremedeiras, a fissura, em suma, a necessidade de beber. “Para mim, a dependência mais perigosa é a psicológica”, opina.

O indivíduo que obteve a sensação de prazer, seja por ter se libertado de uma angústia ou sofrimento, seja por ter conquistado uma felicidade a qual sempre buscou, seja por ter transposto um complexo de comunicação com os outros ou até mesmo por sentir um “pseudo poder”, recorrerá ao álcool sempre que sentir que precisa ter a sensação novamente. E o que vai definir a dependência psicológica é a frequência que o indivíduo entende precisar desta sensação.

Uma dependência alimenta a outra. Porque quando se consome por fisiologia, dá-se manutenção à sensação e quando se consome para obtenção da sensação de apego, alimenta-se a dependência orgânica.

O uso nocivo do álcool, de acordo com o Relatório Global sobre Álcool e Saúde de 2014, é um dos fatores de risco de maior impacto para a morbidade, mortalidade e incapacidades em todo o mundo, e está relacionado a 3,3 milhões de mortes a cada ano.

Em Petrópolis, há 19 grupos com reuniões regulares, alguns grupos tendo reuniões todos os dias, mas todos seguindo o mesmo propósito e a mesma linha:

  • Lista completa dos grupos – Endereço, dia e hora das reuniões.
  • Linha de Ajuda – Informação para o alcoólico e familiar.
  • Depoimentos, reflexões, ponto de vista da medicina, etc.

Saiba mais pelo site: www.aapetropolis.com
Facebook: facebook.com/aaonlinepetropolis

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