“Não confundir fragilidade com fraqueza. Fragilidade é quão rápido se chega ao âmago, e não o quanto ele aguenta”. Essa frase de Michel Melamed reflete uma forma de encarar a força que não tem a ver com virilidade, corpo físico e atlético, mas como uma coisa que se dá também pela fraqueza. Ou seja, resistir não tem a ver com ser o mais forte, mas com a certeza de que o outro não consegue atingir o nosso âmago, ou até, quem sabe, que nossa maior fraqueza seja aquilo que temos de mais forte e mais importante. Sermos fracos, portanto é nossa maior esperança.
Guerra Mundial Z (2013), de Marc Forster, conta a história da família Lane, encabeçada por Gerry (Brad Pitt) que abandona um emprego da ONU para estar mais próximo da mulher e das filhas. No entanto, estranhas mortes começam a acontecer por todo o mundo e o que era apenas uma ameaça, torna-se iminente: há um apocalipse zumbi. Lane é chamado para uma base onde recebe a missão de tentar desvendar qual a causa dessa epidemia. É quando ele descobre que os neo-zumbis simplesmente não atacam algumas pessoas. Por que será?
O caráter do filme se divide na relação familiar, nos ataques zumbis e na peregrinação de Lane por vários lugares do mundo. A impressão que se tem é que onde Lane estiver algo de ruim acontecerá e, assim, ele vai passar todo o filme fugindo e tendo de enfrentar a vulnerabilidade que todo o mundo enfrenta, aparentemente despreparado. Logo no começo, há um relato de que a Coreia e Israel estavam vendendo armas e que, por conta disso e por algum motivo escuso, eles haviam conseguido informações privilegiadas para pensar em uma proteção contra a epidemia. No entanto, quando Lane chega à Coreia tudo dá errado, assim como em Israel. Para variar, a culpa recai sobre os palestinos. Ai, americanos… Até quando?
Para variar, o filme é repleto de cenas de ação e tensão se intercalando. No começo, no entanto, tudo parece escuro em demasia e, ao lado dos rápidos movimentos de câmera, os zumbis mal podem ser vistos, fato que se modifica no decorrer da obra. O que difere dos demais filmes de zumbis é o fato deles aqui serem velozes, andarem em bandos numerosos, como cardumes de peixes ou estorninhos no céu. Dessa forma, temos uma nova possibilidade de fazer eles se espalharem de maneira absurda e até se amontoarem para escalar grandes alturas. Também se pode destacar a rápida transformação, às vezes em 10, 12 segundos, o que tira do filme a chance do clichê de um humano se transformando em zumbi, em uma cena melosa de afeto.
O que fica mais que evidente é que, como já anunciado, o filme vai ganhar uma sequência, uma trilogia, então embora não seja descoberta a cura, uma solução provisória se apresenta. Agora é esperar como isso vai se desenvolver na continuação. Será que os zumbis ficarão mais fortes? Será que se adaptam? A Guerra Mundial Z vive se repetindo nos cinemas e, parece-me que os personagens desses filmes não aprendem com os outros e assim, vivem repetindo os mesmos erros, e misturando, principalmente, fragilidade com fraqueza.
O filme está em cartaz no Cine Bauhaus, com sessão às 20h40. Já no Top Cine Hipershopping ABC, o filme é exibido às 20h50. A classificação é 14 anos.
http://www.youtube.com/watch?v=6sZ7-o4T79c
Luiz Antonio Ribeiro é dramaturgo, letrista, crítico, poeta e flamenguista. É bacharel em Teoria do Teatro pela UNIRIO, onde atualmente é graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja e ócio criativo. Desde 2011 é membro do grupo Teatro Voador Não Identificado. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro
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